O Complexo Industrial de Sines receberá pelo menos três grandes unidades de produção do famoso biodiesel que numa tradução livre para o Português será mais ou menos biogasóleo. De tão famoso que é, penso que a maioria da população desconhece como se fabrica e que implicações poderá ter no futuro, a par de outros biocombustíveis como o bioetanol.
A implantação de novas unidades de produção de biogasóleo em si e para já, não me levanta preocupações especiais. O mesmo não posso dizer do impacto que o incremento da produção de biocombustíveis poderá ter à escala global:
1. A afectação de terrenos férteis e recursos escassos como a água, para as culturas energéticas conjugadas com elevadas margens de comercialização e a crescente aridez dos solos levarão necessariamente a uma pressão inflacionista nos preços dos alimentos. Ou seja, teremos cada vez menos terrenos para cultivar alimentos e estes serão tendencialmente mais caros.
2. A deriva da nova agricultura energética serve na perfeição os interesses das multinacionais que comercializam as sementes transgénicas e serão mais um passo na proliferação da monocultura em prejuízo da biodiversidade e também contribuirão para o esgotamento dos solos.
3. O Brasil, Malásia e Indonésia lideram a produção de biocombustíveis bem como, das respectivas matérias-primas Logo, não será abusivo concluir que assistiremos ao acelerar da desflorestação da Amazónia e das florestas asiáticas que atinge já 20 a 25 mil quilómetros quadrados por ano.
4. A produção dos novos combustíveis poderá numa perspectiva optimista reduzir a dependência do petróleo mas em caso algum conseguirá substituí-lo tais seriam a áreas necessárias para suprir o actual consumo.
Em conclusão, os biocombustíveis não resolverão nenhum problema ambiental pela simples razão de que uma efectiva melhoria e redução das emissões gasosas do trânsito automóvel, jamais compensarão os efeitos perniciosos que colocam ao mundo e à Humanidade. Assim, acentuarão a profunda desigualdade que já hoje existe entre países ricos e pobres sem que estes possam resolver os seus problemas alimentares, pelo contrário, os problemas deverão agravar-se.
A actual fase de desenvolvimento do sistema capitalista mundial depara-se com um limite estrutural que é a finitude dos recursos energéticos disponíveis no planeta, constituindo assim um obstáculo ao seu desenvolvimento irracional. Para contornar o problema, encontra uma solução também ela irracional que não é mais que uma fuga para a frente, ou seja, convertemos alimentos em combustível.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Resposta
No artigo "para-política" acusaram-me de menosprezar ou fazer pouco dos trabalhadores que com esforço melhoram o seu nível de formação a propósito dos trabalhadores recauchutados. Pois bem, quando falei em trabalhadores recauchutados, aludia ao programa "Novas Oportunidades" que pretende elevar o nível de qualificação dos trabalhadores portugueses de forma artificial e apressada sem que daí resultem de facto, grandes melhorias para os próprios ou para o País. Por outro lado, o Governo acabou com as aulas noturnas em muitas escolas secundárias e superiores e pretende implementar a flexigurança que mais uma vez, de facto, irá impedir os trabalhadores de usar os créditos horários destinados aos trabalhadores-estudantes.
De facto
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