quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Clarividência neoliberal (2)

O recente processo de privatização da Galp é um caso paradigmático da gestão neoliberal do nosso património (Estado). Há cerca de um ano foi anunciado uma distribuição extraordinária de dividendos no descomunal valor de 870 milhões de euros ao accionistas (Estado, ENI e Amorim Energia). Algumas explicações foram dadas: resultados transitados, compensação pela venda dos activos regulados á REN, contudo, certo certinho ninguém soube explicar.
Cá para mim, este encaixe de capital pelos accionistas foi a forma que o Governo encontrou de comprar a desastrosa cláusula de opção de compra pela ENI das acções do estado orquestrada pelo então ministro Pina Moura. O Grupo Amorim foi triplamente beneficiado, 1. Comprou acções ao preço da uva mijona, 2. a própria Galp deu-lhe o dinheiro para comprar os 33% das acções 3. viu as suas acções serem valorizadas em mais de 100% num periodo inferior a um ano, e lavanta grandes dúvidas sobre quem avaliou a empresa antes da OPV e com que objectivo. Quanto ao Estado, esse usou o dinheiro para supostamente endireitar o deficit orçamental com um aporte de largos milhões de euros.
Pode-se afirmar que foi o primeiro caso em Portugal onde o chamado capitalismo popular funcionou com ganhos significativos para os pequenos accionistas, porém, não tenhamos ilusões, todo este processo teve o único e exclusivo fim de beneficiar o Grupo Amorim e mais uma vez entregar o património do Estado numa bandeja de prata ao capital privado.